Joana Crespim

Mestre em Psicologia Clínica e formada em Hipnose

Família, escola e hiperatividade

A Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (PHDA) é bastante evidenciada no quotidiano das nossas crianças e jovens. Para tal, surge desta forma uma necessidade de atuação ao nível de um diagnóstico assertivo. Neste seguimento, surge ainda outra necessidade de ação, esta prende-se com a importância do papel da Família e da Escola por forma a melhorar a qualidade de vida do sujeito diagnosticado com esta perturbação.

Afinal, como se caracteriza uma PHDA?

As crianças e os jovens diagnosticados com esta perturbação caracterizam-se por manifestarem padrões comportamentais muito idênticos. Esta deficiência neurobiológica de origem genética, perfaz psicologicamente um desequilíbrio emocional, o que se espelha em mudanças de humor e na instabilidade afetiva. De uma forma sucinta, o indivíduo apresenta grande dificuldade em seguir regras de conduta, o que se traduz em problemas de comportamento mais especificamente manifestando uma inquietação motora, impulsividade e um curto período de sustentação da atenção, representando assim dificuldades na aprendizagem e também dificuldades de interação ao nível grupal, quer ao nível familiar quanto escolar. Pelas mesmas razões, a PHDA constitui como um desafio para a Família e para a Escola.

Contudo, antes de ser abordada a importância desta díade, é igualmente importante ressalvar e compreender a necessidade para a realização de um diagnóstico assertivo, e como tal, este deve ser realizado por uma equipa de profissionais de saúde, devidamente qualificada. A PHDA é simples de sinalizar devido às dificuldades que origina, no entanto, é uma perturbação muito difícil de avaliar podendo dificultar a tomada de decisão relativamente à intervenção terapêutica mais adequada. Como tal, este procedimento pressupõe a aplicação de variados construtos aferidos e validados, que deverão ser manuseados por uma equipa multidisciplinar em que vai determinar a presença ou ausência de PHDA.

Como suporte à intervenção terapêutica estipulada por esta equipa de profissionais, surge então a importância da díade mencionada anteriormente, a Família e a Escola. O papel que estes dois grandes pilares representam é fulcral, tanto como auxílio no diagnóstico como no processo interventivo.

Numa perspectiva sistémica, a Família nuclear desempenha um dos papéis mais importantes para a sua contribuição sendo que a podemos considerar como a fonte mais rica e por vezes a menos utilizada. E se por um lado, a Família é o primeiro mediador entre a criança e o meio, por outro, a Escola representa o contexto onde a mesma passa a maior parte do seu tempo inserida. Sendo  um lugar de desafios, a Escola é um ecossistema em permanente interação onde se promove o contato social, estimula-se a autonomia, a capacidade crítica e a cooperação.

Neste sentido, podemos então destacar que a Família e a Escola têm uma missão compartilhada: a orientação pessoal da criança/jovem, proporcionando um ambiente funcional e organizado a fim de minimizar o impacto que a PHDA implica no seu aproveitamento.

 

 

 

 


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