Joana Crispim

Mestre em Psicologia Clínica e formada em Hipnose

Cuidar não é só um ato de Amor

Guarda a dor no bolso e vai cuidar da dor do outro? Cuidar é uma atitude que traduz uma forma de estar na vida, é sinónimo de amar, apreciar, ocupar-se dos outros, e pode assumir duas formas: o cuidar de si mesmo e o cuidado com o outro. O cuidado com o outro é prestado a todo o indivíduo que de forma temporária ou definitiva necessite de ajuda para a realização das atividades de vida diária. O processo de cuidar de alguém envolve um esforço físico, mental, psicológico e económico, e assim surge a necessidade do cuidador se reorganizar de forma a ser capaz de encontrar alternativas através dos recursos existentes. As necessidades de cuidado variam ao longo do ciclo vital do indivíduo, sendo que os cuidados prestados com maior indigência são essencialmente no início e no final do ciclo de vida. A partir do momento que o indivíduo assume e se responsabiliza pelo bem-estar do doente, a vida social deste cuidador começa a ser afetada, na medida em que o tempo disponível para cuidar de si se torna cada vez mais escasso, e este é talvez o fator causador de stress referido com mais frequência por parte dos principais cuidadores. O cuidador não tem tempo para si devido à sobrecarga de atividades que exigem a prestação de cuidados para com o doente, e desta forma a perda de atividades sociais pode desencadear e conduzir a um aumento dos sintomas de depressão e também de ressentimentos. A sobrecarga é um fenómeno multidimensional, pois abrange problemas físicos, sociais e financeiros que conduzem à tensão e conflito durante o desempenho de papeis. Neste sentido, cada cuidador deve ser incentivado a que olhe mais para si, nomeadamente para a sua saúde; que disponibilize tempo para passear; visitar familiares e amigos; realizar atividades lúdicas, preferencialmente em grupo por forma a criar e fortalecer novos laços sociais; aumentar sentimentos de segurança relativamente ao papel do cuidar; sensibilizar para eventuais maus tratos que estejam a ser realizados de forma inconsciente; promover o equilíbrio emocional, entre outras. O número de cuidadores em Portugal está a aumentar, e desta forma o número de responsabilidades que esses cuidados requerem também tende a aumentar, colocando assim um maior número de desafios aos apoios sociais existentes atualmente.


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